Como exercer a liderança ágil nos Tempos Pós-normais!


Missão Pós Moderna

Esse artigo apresenta um novo olhar sobre a forma de gestão nas organizações, que chamamos de liderança ágil, baseada em diversos conceitos que visam definir o perfil dos líderes no contexto atual. Com isso, pretende-se apoiar os gestores no desafio de encarar as transformações que as empresas enfrentam, principalmente com a chegada dos Tempos Pós-Normais.

Com as transformações que o mundo corporativo (e a sociedade de forma geral) vem enfrentando, é extremamente importante que as empresas e profissionais atentem para uma nova forma de gestão, mais aderente a esse novo cenário.

O mundo VUCA atual, com toda sua volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, traz desafios até então impensáveis para os líderes e para as estratégias definidas na tomada de decisão tradicional das organizações.

E com o surgimento dos chamados Tempos Pós-normais, a flexibilidade e adaptação à diferentes meios de comunicação e tecnologias são essenciais. E se tornarão um enorme diferencial para aqueles que entenderem as regras vigentes e, por isso, terão condições de quebrá-las.

A emergência de uma sociedade cada vez mais colaborativa e com um foco maior no ser humano traz enormes impactos para as empresas, seja no desenvolvimento de produtos, seja na dinâmica das relações no ambiente de trabalho.

Ainda, o surgimento das startups e, com isso, as organizações exponenciais, que crescem até dez vezes mais que as que crescem de forma incremental, introduz um modelo totalmente diverso de funcionamento organizacional.

A definição de uma visão com objetivos ambiciosos, alavancados por feedbacks dos usuários que maximizam o aprendizado, com uma massificação de personalização e o empoderamento das pessoas, permitem os resultados que levarão a essa exponencialidade.

Muito mais do que se utilizar de métodos ou abordagens que promovam uma mudança estrutural, há de se preocupar com uma transformação cultural e de mentalidade das pessoas, sobretudo dos líderes, para que estes possam efetivamente apoiar o alcance de resultados.

Dessa forma, o modelo de gestão tradicional, focado no comando e controle, sem uma devida autonomia às equipes, que pune erros e não fomenta a colaboração, mata a inovação e, consequentemente, a chance de se extrair o melhor das pessoas.

Destaca-se, portanto, a necessidade de uma nova liderança, adaptável à todo esse maravilhoso novo mundo, e que tem se mostrado um grande diferencial competitivo nos cases dessas organizações que alcançam um crescimento exponencial.

Existem diversos conceitos que buscam definir o perfil desse líder atual e futuro, cada um colaborando com alguns aspectos essenciais para o sucesso no desempenho das equipes e, com isso, para o atingimento de metas e objetivos organizacionais.

Liderança servidora

Esse conceito, criado por Robert Greenleaf nos idos de 1970, se referia a um conjunto de comportamentos e práticas que demonstram como o líder realmente pode servir ao seu público (povo, equipe, etc). Nascia, então, mais que uma ideia. Nascia um movimento.

Ele inverte o modelo tradicional de liderança focado no poder, onde as pessoas trabalhavam para servir o líder, passando a enfatizar a colaboração, a confiança e a empatia. Pode ser considerada a base da liderança discutida hoje em dia com as transformações nas empresas.

Com isso, proporciona o desenvolvimento do indivíduo, o trabalho em equipe, o engajamento e a satisfação geral das pessoas. Consequentemente, entende-se que isso amplia a efetividade e a felicidade de toda a equipe.

Liderança Polímata

De acordo com o Michael Araki e no artigo publicado aqui, onde é detalhado um pouco mais sobre o Líder Polímata, o contexto das organizações exponenciais requer um novo paradigma.

É necessário que essa liderança esteja mais ligada com o desejo de crescer e prosperar de cada indivíduo, por meio da criação e disseminação de novas ideias, adaptadas à realidade atual.

Esse crescimento individual foca em três aspectos principais, relativos a seu conhecimento: abrangência (extensão e diversidade), profundidade (sistematização e experiência) e conectividade (integra habilidades, talentos e atividades e cria sinergia).

A evolução conjunta das três dimensões constitui o que se chama modernamente de polimatia, cujo processo se denomina Liderança Polímata, requer ainda que se tenha humildade intelectual e capacidade de otimizar o fluxo de ideias, além dessas 5 qualidades:

  • Visão integrativa - Desenvolver, integrar e manter traços, valores e ideias opostos.

  • Destreza mental - Se adaptar rápida, equilibrada e eficientemente ao ambiente.

  • Abertura com visão crítica - Aberto, consciente e crítico a ideias novas e diferentes.

  • Empatia cognitiva - Compreender as ideias de outra pessoa e o propósito por trás delas.

  • Força de caráter - conjunção de Autenticidade com Coragem intelectual.

Se baseia, portanto, em incentivar o alcance de níveis mais altos de aprendizagens, bem como objetiva superar coletivamente problemas difíceis, fazendo transformações e contribuições positivas para a sociedade.

Liderança feminina

Alguns estudos tem apontado a influência do gênero no mercado e, principalmente, no perfil de liderança necessário às organizações. Porém, mais do que a questão de gênero em si, é preciso uma mudança no modelo tradicional e patriarcal de gestão até então predominante.

Dessa forma, associa-se à uma visão feminina de liderança um maior desenvolvimento da inteligência emocional e construção de boas equipes, bem como uma motivação superior, sem perder de vista o alcance dos resultados.

Betina Rama define algumas características desse estilo de liderança, sendo:

  • Orientação às pessoas: São sociáveis, expressivas e próximas.

  • Tendência à cooperação: São ativas na inclusão e contenção das pessoas, com processos organizados e sadios.

  • Capacidade de agir em muitas direções: Capacidade inata de pensar e agir em muitas direções ou temas ao mesmo tempo.

  • Liderança horizontal: Encoraja a participação, compartilha o poder e a informação.

  • Predomínio do emocional: Têm em conta o lado “humano” das pessoas e gera altos níveis de empatia.

  • Maior predisposição à mudança: Sentido da qualidade, centrado na pessoa, flexível, comunicativa e persuasiva.

Management 3.0

Apresentado no livro de Jurgen Appelo com o mesmo título (2011), é um modelo de gestão que se baseia no pensamento complexo, considerando, assim, as organizações como grandes sistemas de alta complexidade.

Não foca em hierarquias e cargos, mas sim na maneira como as pessoas se comportam e se relacionam, em grandes redes de relacionamento, sendo priorizada a felicidade das pessoas. O Management 3.0 é um movimento que define o gerenciamento como responsabilidade do grupo.

Quando dos primórdios da gestão, se tinha um grande foco em eficiência, uma abordagem de comando e controle, e trabalhadores tidos como mero executores (gestão 1.0). Na década de 70, houve uma guinada para a melhoria da qualidade, por meio do Six Sigma, TQA, Balanced Scored Card, porém foco ainda era nos gestores (gestão 2.0).

Com a gestão 3.0 o foco muda para as pessoas, e a função do gestor passa a ser muito mais a de liderá-las do que realizar atividades de gestão ou coordenação. Ela se baseia nas 6 seguintes visões do líder:

  • Energizar pessoas - Gestores devem conseguir mantê-las motivadas, ativas e criativas.

  • Empoderar Times - Times auto-organizados por meio do empoderamento, autonomia e confiança dos gestores.

  • Alinhar Restrições - Guiar e alinhar o interesse de todos com um foco único.

  • Desenvolver Competências - Times auto-suficientes, tendo a prioridade de preparar e evoluir as pessoas.

  • Crescer a Estrutura - Crescimento consciente e com foco no ambiente colaborativo.

  • Melhorar tudo - Melhoria contínua, errando e aprendendo com os erros.